O segredo de Fátima: uma percepção

Aproxima-se o centenário da aparição de Maria em Fátima, pequena cidade de Portugal. Apraz-me pensar sobre tal acontecimento, com um olhar arraigado na materna prudência da Igreja, mas que não limita o olhar da piedade e, sobretudo da curiosidade que tal aparição me causa. Leio as aparições com certa cautela, pensando sempre sob o seguinte critério: se na Sagrada Escritura Maria é tão discreta, por que agora ela resolveria aparecer tanto?

Com efeito, o mistério de Fátima me causa um nó na consciência, provoca em mim uma mudez, não consigo compreender com clareza. No entanto, isso não diminui em nada o ocorrido lá, apenas não consigo formular um parecer sobre o acontecimento. Penso que o ocorrido é do campo do mistério, penso isso pelo contexto. Era a primeira guerra mundial, as nações se gladiavam, as potências queriam eliminar suas oponentes, neste sentido, Maria aparece a três crianças? Maria, certamente, é uma mãe curiosa.

Ela faz pedidos a tais crianças, pedidos simples como que feito de uma criança para outra. Há mesmo curiosidade nisso. Ela pede orações, o que mais quem ama pode pedir? A autenticidade do pedido é inegável, só poderia ser pedido de mãe. Outro fato que desperta questionamento é a impossibilidade da realização do acontecimento, era muito difícil tudo ter dado certo, estava no limite do impossível, no entanto, deu certo.

Dessa maneira, ela recordou que há tempos atrás, em Nazaré da Galiléia, o impossível tornou-se possível. Revelou assim que o Autor das aparições, não era ela. Ali, em Fátima, novamente ela era serva, simplesmente serva. E Deus fez grandes coisas naqueles pequenos que acreditaram. Como o Mistério tem empatia com os pequenos!

Talvez, Fátima tenha se tornado a Nazaré da Galiléia, lugar no qual Maria experimentou relacionar-se mais profundamente e de novo com três crianças, revivendo a Sua Criança, o menino Deus e o Deus menino. Houve sofrimento para os que acreditaram, mas, quem acreditou de verdade e não sofreu por isso? A cova da iria tornou-se manjedoura? Berço no qual a cem anos, milhares de pobres foram acalentados por que acreditaram? A fé cresceu pela impotência de três crianças, não é novidade, anteriormente, a fé nasceu com um sorriso de Criança, lá, não na cova, mas na Nazaré, esquecida, da Galiléia.

Maria, fez memorial, pediu que nos lembrássemos do seu Filho, que encantadora coerência materna! Pediu isso em Nazaré da Galiléia, pediu de novo na cova da iria. Dois lugares semelhantes pela insignificância, dois lugares semelhantes porque Deus se lembrou deles. Há em Fátima mistério, há ali presença de Deus, nada faz duvidar. A pobreza das três crianças quebra as especulações, mas apenas de corações sensíveis.

Assim Fátima me cala. Fátima me faz rezar, Maria apareceu ali, mostrou-se ali novamente como ao seu pequenino Deus, aquele que Se fez caber no seu ventre, e, que coube na cova da iria. Só Deus é assim! Só o Amor é assim! Antes a Nazaré, Deus enviou seu anjos, em Fátima, enviou sua mãe. Que orgulho disso, novamente sermos visitados pela mãe de nosso Senhor, a indignidade confessada por Isabel se estende até hoje. Mesmo assim ela veio. Trazendo o Menino, Aquele mesmo que nasceu dela.

O Mistério novamente mostrou-Se aos pequeninos, continuando a constranger a inteligência dos homens, continuando a revelar o amor, pedindo chances para que se realize. Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

Diácono Alessandro Tavares Alves

 

 

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