Laudato Si’ e Amoris Laetita: A aposta de Francisco na Humanidade.

Laudato Si’ e Amoris Laetita: A aposta de Francisco na Humanidade.

O Papa Francisco ao publicar sua exortação sobre o amor na família chama a atenção para uma dimensão fundamental que é a dimensão familiar na ecologia, tema abordado em sua encíclica Laudato Si’. Apraz pensar sobre isso, uma vez que o futuro da humanidade passa pela família. Deus mesmo não quis viver na solidão, mas apostou na vida familiar em Nazaré.

            A harmonia na família e o amor entre os cônjuges colaboram para a harmonia da criação. Enquanto criaturas, os esposos desempenham um importante papel para com o curso da natureza, seja na educação familiar, seja testemunhando o amor para com tudo aquilo que é criado.

A família é o ícone do amor social. Sobre isso, afirma o Romano Pontífice: “Por isso, a Igreja propôs ao mundo o ideal de uma “civilização do amor”. O amor social é a chave para um desenvolvimento autêntico: para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa, é necessário revalorizar o amor na vida social – nos planos político, econômico, cultural – fazendo dele norma constante e suprema do agir” (LS 231).

A família é ícone dessa forma de amar, por isso o Santo padre insiste sempre de novo na construção da civilização do amor, que passa irrenunciavelmente pela família. Neste aspecto, “desde o início, o amor rejeita qualquer impulso para se fechar em si mesmo, e abre-se a uma fecundidade que o prolonga para além da sua própria existência” (AL 80). O amor sempre abre a uma dimensão cósmica, integra à natureza, faz sentir-se com o outro e com as coisas criadas.

A arte de amar é algo que não se improvisa. Assim os pais educam seus filhos para o amor, para o cuidado com a casa comum, desde cedo, ensinando uma relação sadia com a natureza, pois são os primeiros dependentes dela. O cuidado com a natureza é um ofício que não se terceiriza, que não responsabiliza somente o outro, mas é vocação mesma do ser humano. Cuidar da natureza é a maneira mais eficaz de cuidar de si mesmo. E essa educação brota na família, quando ela é ícone do amor.

A forma com a qual os seres humanos se relacionam conta muito para uma relação sadia com o meio ambiente, assim afirma o pontífice: “o descuido no compromisso de cultivar e manter um correto relacionamento com o próximo, relativamente a quem sou devedor da minha solicitude e proteção, destrói o relacionamento interior comigo mesmo, com os outros, com Deus e com a terra” (LS 70).

E continua o Papa: “no ambiente familiar, é possível também repensar os hábitos de consumo, cuidando juntos da casa comum: a família é a protagonista de uma ecologia integral, porque constitui o sujeito social primário, que contém no seu interior os dois princípios-base da civilização humana sobre a terra: o princípio da comunhão e o princípio da fecundidade” (AL 277).

O Papa Francisco com a encíclica e a exortação faz um apelo à humanidade e, ao mesmo tempo, aposta na capacidade de amar e ser amado que compõe cada homem. Francisco é perito em humanidade, com efeito, acredita no ser humano e lhe dá um voto de confiança, dando-lhe garantias de que a Igreja o acompanha nas suas noites e tristezas.

Assim, o Papa quer chamar toda a família humana à preocupação mútua, priorizando o amor e a partir dela, ser cuidador de toda a criação. A família é dimensão integrante da ecologia, dessa forma, o pontífice cada vez de novo renova sua vocação de pai espiritual de um grande rebanho.

Referências

FRANCISCO, PAPA. Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum. São Paulo: Paulinas, 2015.

_________________. Amoris Laetitia: sobre o amor na família. São Paulo: Paulinas, 2016.

 

Alessandro Tavares Alves

IV ano de teologia

 

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