Família: um tesouro em vasos de barro

Família: um tesouro em vasos de barro

A realidade familiar sempre de novo apresenta-se como um desafio. Apostar na vida a dois é sempre um risco tão belo quanto exigente. O matrimônio tem se desgastado pelas forças dos dias atuais, a mídia insistentemente aponta “caminhos alternativos” para o ser humano que muitas vezes relativizam a harmonia conjugal ou a aponta como uma realidade fora de moda e cansativa, contrariando a liberdade do homem e da mulher.

São João Paulo II dizia que o futuro da humanidade passa pela família, ela é a primeira escola, o primeiro espaço de comunhão para o aprendizado mais fundamental da vida humana, por isso precisa ser preservada de toda e qualquer violação de seus direitos mais fundamentais. Constituir família é uma decisão de coragem, uma aposta na vida e uma confiança em Deus indispensável.

O Papa Francisco em sua exortação sobre o amor na família, Amoris Laetitia, observa com esperança a realidade familiar. O pontífice não negligencia os problemas e as dificuldades que cada família enfrenta no seu cotidiano, ao passo que observa com esperança tudo isso, confiando na Graça de Deus que sempre encontra a pobreza da natureza humana e a aperfeiçoa.

A Amoris Laetitia é um hino à misericórdia e ao discernimento. Ela pede atenção para a lógica da misericórdia pastoral, para que, ouvindo atentamente cada caso possa discernir com misericórdia e integrar a família na vida eclesial. A confiança do Santo Padre na instituição familiar é forte e, por isso, pede sempre aos casais que repensem sempre seus gestos para que não terminem o relacionamento na primeira dificuldade.

É necessário entender que é impossível acertar sempre, ninguém está isento das dificuldades, de fazer opções erradas, ao passo que é necessário cada vez de novo, amparar-se na Lógica do Evangelho e tentar sempre o caminho que leva a Jesus como critério decisivo para tudo. Para ser família é preciso haver uma coincidência de vontades profunda, um anseio de colocar o coração no mesmo lugar, podar arestas, para assim formar uma só carne.

Família é um tesouro em vasos de barro. É uma decisão divina, um voto de credibilidade na pessoa humana. É a forma com a qual Deus manifesta sua confiança no ser humano. Para isso, é preciso honestidade para recontar a história do casal em companhia de Jesus. Colocar as dificuldades, angústias, dúvidas no coração de Deus e contar com sua luz para o melhor entendimento.

O Espírito orienta a afetividade humana a partir de dentro e vence as resistências para reconhecer Deus no crucificado e nos mais fracos. Assim também é com as famílias, o Espírito Santo orienta em cada dificuldade e ouve cada súplica. Ele é o consolador por excelência, o Pai dos pobres.

Vale a pena apostar na familiar, mirar no exemplo da Sagrada Família de Nazaré. Ter como pessoa central o menino Jesus que enriqueceu a vida de Maria e de José. Enfrentaram suas muitas dificuldades e não desistiram, foram até o fim na sua bela missão. Que são José, patrono das famílias, abençoe sempre cada casal na sua decisão de ser comunhão como Deus mesmo é. A Trindade é comunhão e diálogo, uma vez que a família deve ser o melhor espelho dessa divina realidade.

ALESSANDRO TAVARES ALVES

IV ANO DE TEOLOGIA

 

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