Deus criança: a simplicidade que se fez pão.

Ao aproximar sempre de novo do natal é preciso pensar na convergência de sentido que há para os adornos e enfeites das lojas, o ilusionismo do mercado para as compras. Tudo, menos natal. Deus não se mostra assim. Ao ler as páginas da infância de Jesus, tanto em Mateus quanto em Lucas, comove a simplicidade daquela família, angustiada pelo não entendimento, temerosa pela perseguição, mas amparada pela fé.

Um homem (José) tomado pelo silêncio interrogatório, perguntas que só o Senhor sabia, só no coração daquele homem moravam, no entanto só Deus mesmo as conheceu que nem os evangelistas as narraram com precisão. Uma mulher, mãe (Maria) tomada de espanto, colocou-se como serva do Mistério, disse “sim” e pôde ter Deus em seu colo. Uma criança, um pobre, um nu (Jesus) o eixo de sentido para a vida daquela família e de toda a humanidade posterior.

Há aí algo que dá um nó na razão, não é algo comum, na chamada “ordem natural das coisas”. Afinal, não é todo dia que Deus se faz criança e no auge de sua vida   se faz pão, sustento do mundo. Deus tem mesmo coração de criança, o advento prepara para isso e o natal o celebra. Ele se reveste de humanidade, experimenta aquilo que nós somos, exceto o pecado. Só o amor é assim.

Naquele curral frio, envolto em pobres panos nasceu o Deus menino, lugar tão simples, tão pobre, tão miserável, que chega a se equiparar ao coração humano, presépio por excelência. Não se reconhece com os olhos humanos uma realeza que se despoja, um Rei que nasce em um espaço de animais. Um Rei que experimenta a dor dos súditos. Só o amor é assim.

Somos discípulos de um Deus com coração de criança, de um Deus que Se fez criança, de um Deus que teve infância. Por isso, o natal já é festa de conversão, já é pressuposto de mudança de vida. Que a Criança venha a nosso encontro e que sua simplicidade encante nossos corações embrutecidos e nos abra a esperança que é sempre sustentada pelo amor que nasce, que é simples.

Alessandro Tavares Alves

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