A Espiritualidade Conjugal proposta pela Amoris Laetitia.

A Espiritualidade Conjugal proposta pela Amoris Laetitia.

O Papa Francisco em sua Exortação Apostólica sobre as famílias propõe uma fecunda e sólida espiritualidade. O objetivo do Pontífice é sempre mais estreitar os laços entre os esposos e fazer com que a família seja um lugar de misericórdia e, sobretudo, onde o amor seja o critério de tudo. A exortação é um itinerário espiritual rico e de grande significado.

A família deve ser um lugar onde Deus se faça presente sempre, mesmo nas dificuldades. Francisco pede que os noivos não se iludam com uma vida fácil, mas enfrentem o matrimônio assumindo os riscos e com profunda confiança em Deus. “Em suma, a espiritualidade matrimonial é uma espiritualidade do vínculo habitado pelo amor divino” (AL 315).

A vida do casal deve ser sempre um caminho diário de santificação, mesmo com as intempéries, é preciso sempre discernimento. É sempre necessário pensar o vínculo à luz do Evangelho, Jesus sempre é o critério, sempre a resposta. A família é sinal da Trindade Santa. Deus não quis viver em uma solidão, mas quis estar em comunhão sempre.

Jesus nasceu e foi educado no seio familiar em Nazaré, esse fato incidiu sobre sua vida e sua pregação. Evidentemente que também a família de Nazaré teve seus obstáculos e os enfrentou à luz da fé. O Papa faz uma indicação para os casais em dificuldade: “nos dias amargos da família, há uma união com Jesus abandonado, que pode evitar uma ruptura […]. Por outro lado, os momentos de alegria, o descanso ou a festa, e mesmo a sexualidade são sentidos como uma participação na vida plena da sua Ressurreição” (AL 317).

A Eucaristia é o alimento que sustenta o matrimônio e, a partir dela, cada família caminha sempre na lucidez que a faz enxergar a possibilidade do insucesso, mas, sobretudo, permite enxergar a saída. Faz- se necessário ter paciência com Deus e Suas decisões.

O Papa ainda afirma que: “é preciso que o caminho espiritual de cada um […], o ajude a desiludir-se do outro, a deixar de esperar dessa pessoa o que é próprio do amor de Deus. Isto exige um despojamento interior. O espaço exclusivo, que cada um dos cônjuges reserva para a sua relação pessoal com Deus, não só permite curar as feridas da convivência, mas possibilita também encontrar no amor de Deus o sentido da própria existência” (AL 320).

A família foi sempre um hospital para o próximo, urge cuidado recíproco e cuidado com os outros. Nesse aspecto é preciso pensar sobre a fecundidade pastoral, ela “implica promover, porque “amar uma pessoa é esperar dela algo indefinível e imprevisível; e é, ao mesmo tempo, proporcionar-lhe de alguma forma os meios para satisfazer tal expectativa” (AL 322).

É preciso apostar no amor mútuo que ajuda a resolver as dificuldades pacientemente, no cotidiano da história, nas suas contingências. A fé é sempre a saída, pois ela leva sempre a Jesus que é o critério último para tudo.

Alessandro Tavares Alves

IV ano de teologia

 

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