14 de Abril de 2017

HOMILIA DE QUINTA-FEIRA SANTA – MISSA DA UNIDADE

Publicado por Autor:Dom José Eudes

Meu irmão no Episcopado Dom José Geraldo da Cruz, Bispo Emérito de Juazeiro – BA, queridos irmãos presbíteros, caríssimos diáconos, estimados religiosos (as), prezados seminaristas e vocacionados, querido povo de Deus.

A celebração desta quinta-feira santa, a missa da UNIDADE se reveste de grande significado para todas as igrejas particulares do mundo inteiro, mas para nós ela tem um significado ainda mais especial: unidos em torno do bispo, sinal visível da unidade e da comunhão entre o clero diocesano, neste ano os nossos presbíteros e diáconos aceitaram mudar o local da celebração para demonstrar, de um modo muito concreto, a nossa amizade, unidade, comunhão e solidariedade com o nosso irmão Frei Gilberto que sofreu um atentado dia 19 de fevereiro e que se encontra numa situação desconfortável de ter a sua vida ameaçada por alguém que quer calar a sua voz profética. Como igreja particular de Leopoldina formamos um só corpo, cuja cabeça é Jesus Cristo, por isso, quando um membro é valorizado, todos nos sentimos valorizados com ele, mas quando um membro é ameaçado, todo o corpo eclesial também se sente ameaçado com ele.

Meus queridos irmãos presbíteros e diáconos, talvez esta seja a celebração da unidade mais marcante destes últimos anos. A UNIDADE que brota entre nós, deve ser antecedida pela unidade de todos nós com Jesus Cristo, o Sumo e eterno sacerdote, Aquele que veio para que todos tenham vida e vida em abundância. Por isso, onde há qualquer tipo de ameaça à vida, aí está Jesus Cristo e aí deve estar também a sua igreja. Este é motivo pelo qual a celebração de hoje foi deslocada da Catedral para Belisário. Neste contexto acima descrito, talvez Belisário se torna sinal visível mais forte da unidade entre nós, mais do que a celebração na catedral, igreja-mãe da Diocese de Leopoldina.

Queremos nesta Celebração Eucarística, memorial do sofrimento e ressurreição de Jesus Cristo, colocar no altar do Senhor a vida de todos os cristãos (as) que por causa da sua fé e a pregação do Evangelho tem as suas vidas ameaçadas por pessoas que desejam calar a sua voz. Nesta celebração de hoje, rezamos especialmente pelo nosso irmão Frei Gilberto, membro do nosso presbitério, que também se encontra nesta situação. Pedimos ao Senhor que o proteja e o mantenha firme na fé diante dos obstáculos no processo de Evangelização. Assim afirma a Palavra de Deus: “Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês por causa de mim. Fiquem alegres e contentes porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês” (Mt 5,11-12).

Meus queridos irmãos e irmãs, emoldurada por este contexto, celebramos hoje a instituição da Eucaristia e a instituição do Sacerdócio. São duas realidades que se fundem: não há sacerdócio sem Eucaristia e não há Eucaristia sem sacerdócio. Foi no contexto da última ceia que o Senhor nos concedeu estes grandes tesouros espirituais, após lavar os pés dos discípulos acenando para o sentido mais profundo destas duas realidades de fé.

Geralmente, quando uma pessoa está prestes a morrer, ela reúne os seus parentes para dar as últimas instruções antes de partir deste mundo. Ao pressentir que sua hora estava chegando, Jesus também deixou a sua última instrução para os seus discípulos, Ele o fez através do gesto do lava-pés. Este gesto, feito por Jesus no contexto da última ceia, acena para o que Ele fez durante toda a vida: servir com humildade, amor e generosidade a todos os seres humanos. No final do gesto, ele nos deixa a última lição: “Vocês compreenderam o que acabei de fazer? Vocês dizem que eu sou o Mestre e o Senhor. E vocês têm razão; eu sou mesmo. Pois bem: eu que sou o mestre e Senhor, lavei os seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13, 1-13-15). Portanto, queridos irmãos e irmãs, a grande lição do lava-pés é esta: devemos nos colocar a SERVIÇO dos irmãos e irmãs de modo gratuito e generoso. Quem serve se identifica ao grande Mestre Jesus Cristo e se coloca numa postura de verdadeiro seguimento. Aproveito para fazer um pedido aos meus colaboradores, irmãos presbíteros e diáconos: sirvam com generosidade o Povo de Deus, sirvam sempre com amor, não poupem energia no serviço ao santo povo de Deus. O segredo da realização na vida consagrada está no serviço desinteressado e generoso aos irmãos e irmãs.

É neste contexto de lava-pés que Jesus nos ofereceu também o mais precioso tesouro da nossa fé: a Eucaristia. Jesus passou por este mundo fazendo o bem. Quando percebeu que estava chegando a sua hora, através do gesto da Eucaristia, ofereceu-se a si mesmo como alimento de vida eterna, reforço para a caminhada de cada dia.

Ao instituir a Eucaristia, automaticamente, Jesus instituiu também o sacerdócio ministerial. Não há sacerdócio sem Eucaristia e nem Eucaristia sem sacerdócio.

Preparemos queridos padres para daqui a pouco renovarmos nossas promessas sacerdotais, saibamos nos comprometer com Deus e com os irmãos de sermos “homens de oração”, certos de que assumimos uma missão e não uma função.

Queridos padres neste dia especial venho exortá-los a viver de modo digno, santo e entusiasmado o dom do sacerdócio. Ele nos foi dado por Deus. Foi confiado a homens frágeis, mas para aquele que nos confiou esta graça nada é impossível, Ele nos santifica  para que sejamos santificadores de vidas. Deixemo-nos ser tocados pela graça divina e tudo se transformará em nós e através de nós. O povo de Deus confia no sacerdócio acreditando que Deus age por meio de nós. Ele busca uma palavra, uma orientação, uma acolhida, um guia espiritual.

Obrigado pelo grande bem que vocês prestam a vida de nossa diocese. Já disse e repito sem o trabalho de vocês, a diocese não caminharia de modo tão fecundo e bonito. Sem vocês, o meu ministério episcopal não teria razão de ser. Por isso manifesto todo o meu apreço e toda a minha gratidão pelo trabalho generoso e abnegado de vocês.

A todo povo de Deus peço que rezem pela perseverança e santificação do clero. Seja presença amiga e orante na vida de nossos padres.

                                      Dom José Eudes Campos do Nascimento

                                              Bispo Diocesano de Leopoldina

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