Notas eclesiológicas (IV): A Igreja é Apostólica

A apostolicidade é a propriedade mercê da qual a Igreja conserva através dos tempos a identidade de seus princípios de unidade como os recebeu de Cristo na pessoa dos apóstolos. Esses princípios são: unidade pela comunhão na doutrina, nos sacramentos e na forma social da vida na Igreja sob a direção dos pastores, que herdaram seu ministério dos apóstolos.

            Essa apostolicidade toca a questão escatológica pois está prometida à Igreja através do Espírito de Cristo. Essa nota é de fundamental significação, pois possibilita compreender como é a verdadeira Igreja. Somando-se às notas anteriormente tratadas que são: unidade, santidade e catolicidade, a apostolicidade completa as dimensões e favorece o melhor entendimento.

            A Igreja é oriunda da Trindade e se desenvolveu pela fé dos apóstolos, pelo testemunho deles que conviveram com o próprio Jesus de Nazaré. O termo apostólico foi inicialmente empregado “em sentido moral, conforme os apóstolos. Irineu foi o primeiro a expressar sistematicamente contra os gnósticos a ideia já esboçada por Clemente de Roma de que a verdadeira doutrina devia ser buscada na tradição recebida dos apóstolos pelos bispos ou presbíteros estabelecidos por estes e que a transmitiram a seus sucessores até o presente” (FEINER, LOEHRNEIR, 1976, p. 163).

            Essa consideração dos autores expressa com clareza sobre a origem da fé da Igreja e onde ela deve ser buscada. A fé dos apóstolos garante a unidade da Igreja, como também, seu caráter apostólico. O ser apostólico da Igreja é uma instituição necessária, tornou-se uma forma da Igreja compreender a si mesma.

            Nesse sentido, “os apóstolos cumpriram uma dupla missão: a de ser testemunhas especiais da ressurreição e, como tais, fundadores de Igrejas, missão única e intransferível, ligada ao fato irrepetível da encarnação, à vida terrena das testemunhas e ao carisma de revelação e inspiração; a de ser mestres e pastores das Igrejas por eles fundadas, missão para a qual são seus sucessores os bispos. Em sentido rigoroso, mais do que sucessores dos apóstolos como tais, os bispos são os primeiros ministros designados pelos próprios apóstolos, ou por “um” deles, para dirigir  as Igrejas por eles fundadas. Tanto o apostolado como o episcopado têm uma missão em comum: a de realizar a presença ativa do Senhor ausente. Trata-se de um vicariato, do exercício de uma mesma autoridade, de uma mesma ação, de uma mesma missão, mas por meio de outras pessoas. Os apóstolos foram escolhidos, consagrados e enviados pelo próprio Senhor. Os bispos, por sua parte, o são através de uma mediação. Depois do desaparecimento dos apóstolos, os bispos realizam a presença do ministério apostólico – e, através dele, do próprio Senhor- à frente das comunidades que presidem no lugar dos apóstolos” (PIÉ- NINOT, 2006, p.89).

            Assim está expressa a relação entre os bispos e os apóstolos, referindo-se assim ao núcleo da apostolicidade da Igreja, que passa pela sucessão a partir de Jesus até os dias de hoje. Os bispos são a presença do Senhor que está ausente, neles há o sinal de unidade e apostolicidade, são visíveis sinais dessas dimensões.

            A teologia da apostolicidade é marcada pelas relações entre a sucessão histórica e a apostolicidade de ministério, nesse aspecto, ela se liga diretamente com a tradição. A missão de propagar o evangelho é, pois, confiada igualmente a toda a Igreja; todos os fiéis têm parte nela. A Igreja inteira, povo de Deus organicamente estruturado, é o sacramento universal de salvação.

            Com efeito, “a apostolicidade de toda a Igreja realiza-se, certamente, nesta ordem de permanência na fé e na sua comunicação. Este é um aspecto decisivo, por ser o princípio primeiro da identidade da Igreja, e nenhuma sucessão ministerial é válida à margem desta apostolicidade da fé” (FEINER, LOEHRER, 1976, p. 181).

            Assim a Igreja é apostólica, radicada na experiência dos apóstolos com o Senhor e sua Palavra que é ele mesmo. A Igreja verdadeira, portanto é una, santa, católica e apostólica. Não é verdadeiramente Igreja aquela que não está intimamente ligada a essas quatro dimensões.

 

ALESSANDRO TAVARES ALVES

III ANO DE TEOLOGIA

REFERÊNCIA

DIANICH, Severino; NUCETI, Sereno. Tratado sobre a Igreja. São Paulo: Santuário: 2007.

Feiner; Johanes; LOEHRER, Magnus.  Mysterium Salutis:Compêndio de dogmática histórico-salvífica. Vol 3. Petrópolis: Vozes, 1975.

PIÉ-NINOT, Salvador. Introdução à eclesiologia. 3. Ed. São Paulo: Loyola, 2006.

 

 

 

 

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