Laudato Si’: a palavra de prevenção do Papa Francisco

As correntes tragédias ecológicas que o mundo está presenciando, devastando a natureza em sua totalidade e quando se diz totalidade é no sentido genuíno do termo, pois o homem é mais um que pertence a ela, está arraigada em uma profunda crise de sentido. As tragédias são oriundas de um descaso humano, de um esquecimento de sua vocação de criatura que precisa das outras criaturas para existir.

Não há novidade no que ocorre, tudo já foi avisado. Foi comunicado que faltaria água e ela faltou, foi comunicado o risco de rompimento das barragens e ela se rompeu, foi comunicado que o fundamentalismo cresceria e ele cresceu e hoje até mata. Onde está a novidade? A novidade é que o homem não acreditou, ou mais ainda, acreditou excessivamente em si mesmo.

O Papa Francisco dedicou-se a pensar sobre essas situações, na sua grande encíclica Laudato SI’ ele aponta critérios para o verdadeiro cuidado do meio ambiente que ele intitula de “casa comum”. O Romano Pontífice diz que antes de qualquer crise ecológica há uma crise humana que se dá em várias dimensões como: ética, política, econômica, mas é sempre humana.

Ele aborda a questão da técnica, como progresso humano, mas que precisa de critérios de discernimento capazes de possibilitar um olhar ampliado sobre o todo. Assim afirma o pontífice: “a verdade é que o homem moderno não foi educado para o reto uso do poder, porque o imenso crescimento tecnológico não foi acompanhado por um desenvolvimento do ser humano quanto à responsabilidade, aos valores, à consciência. Cada época tende a desenvolver uma reduzida auto – consciência dos próprios limites. […] a sua liberdade adoece quando se entrega às forças cegas do inconsciente, das necessidades imediatas, do egoísmo, da violência brutal” (LS  105).

O papa insiste no desenvolvimento dos povos sobretudo na garantia de vida aos mais frágeis, com efeito, é preciso critérios para isso. Não há desenvolvimento sem crescimento humano, melhorias efetivas que incidem diretamente na vida das pessoas e a qualifique, sem desconsiderar as capacidades naturais, ou seja, os limites da própria natureza.

Francisco diz que “a falta de preocupação por medir os danos à natureza e o impacto ambiental das decisões é apenas o reflexo evidente do desinteresse em reconhecer a mensagem que a natureza traz inscrita nas suas próprias estruturas. Quando, na própria realidade, não se reconhece a importância de um pobre, de um embrião humano, de uma pessoa com deficiência – só para dar alguns exemplos – dificilmente se saberá escutar os gritos da própria natureza. Tudo está interligado” (LS 117).

Nesse aspecto, quando age assim, o homem deixa de ser colaborador de Deus e passa a ser autor, dono e isso é uma catástrofe. Ele desconhece seus limites, ilude-se de um poder fraco e falível, não mais se reconhece como criatura. Assim toda a encíclica é uma voz de prevenção que precisa ser considerada com inadiável urgência. Francisco se faz profeta em um mundo difícil, é necessária a conversão ecológica que, antes de tudo, é uma conversão humana à humanidade que grita e sofre por sua fraqueza e por ser oprimida naquilo que tem de mais sagrado que é a vida.

ALESSANDRO TAVARES ALVES

III ANO DE TEOLOGIA

 

FRANCISCO, PAPA. Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum. São Paulo: Paulinas, 2015.

 

 

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