Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019: a orientação dos Bispos para a prática eclesial

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com evidente satisfação, apresenta as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Enriquecidas com as lúcidas palavras do Papa Francisco, as diretrizes refletem a evangelização no Brasil.

Elas orientarão a ação pastoral de 2015 a 2019, sendo referência para todas as atividades pastorais nesse período de tempo. O objetivo geral é “evangelizar, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo” (DGAE, p. 8).

A CNBB caminha com renovada consciência de que a evangelização continuamente parte da contemplação de Jesus Cristo presente em sua Igreja e se desenvolve em diálogo com os contextos em que se realiza. Cada contexto apresenta sua necessidade, com efeito, é preciso olhar a partir da realidade para pensar a ação pastoral, sempre partindo de Jesus Cristo.

A conferência dos bispos, em total sintonia com o Papa Francisco, quer que a alegria do Evangelho chegue a todos a atinja todos os corações e mentes. A Igreja existe para evangelizar, nasceu da missão e a faz vocacionalmente. Em sintonia também com as decisões da V Conferência de Aparecida em 2007 quer uma Igreja de discípulos missionários.

As novas diretrizes possuem quatro capítulos, respectivamente distribuídos: partir de Jesus Cristo, marcas do nosso tempo, urgências na ação evangelizadora e perspectivas de ação, seguido, logo pela conclusão do documento.

Partir de Jesus Cristo (I): Esse é o capítulo inicial do documento quer refletir que toda a ação evangelizadora da Igreja deve partir sempre do Evangelho de Jesus, da sua contemplação que inspira atitudes concretas para o desenvolvimento da missão. Torna, com efeito, evidente que a Igreja vive de Jesus e que “Jesus Cristo é a fonte de tudo o que a Igreja é e tudo o que ela crê” (DGAE 4).

Partindo de Jesus compreende-se a Igreja como o sacramento do encontro com Jesus, pensa-se uma Igreja sempre em saída, que sai de coração aberto para acolher sempre os que se aproximam, os reúne como povo de Deus que é peregrino nesse mundo.

Marcas de nosso tempo (II): os bispos analisam neste capítulo o contexto atual, bem como seus desafios e urgências, seus louvores e suas dificuldades. Observam a realidade à luz do Evangelho e do Magistério da Igreja e então podem perceber as necessidades e estipular planos de ação. Assim dizem os bispos “vivemos uma época de transformações profundas. Não se trata apenas de uma época de mudanças, mas de uma mudança de época” (DGAE 19).

A análise de tudo aquilo que envolve a Igreja na sociedade de hoje, como também, a vida das pessoas é sempre urgente, os bispos então consideram que “os desafios existem para serem superados. […] Não deixemos que nos roubem a força missionária. Eles oferecem oportunidade para discernir as urgências da ação evangelizadora. Este é um tempo para responder missionariamente à mudança de época com o recomeçar a partir de Jesus Cristo, com novo ardor, novos métodos e nova expressão, e com criatividade pastoral” (DGAE 29).

Urgências na ação evangelizadora (III): Após pensarem sobre o contexto atual e o que ele impõe à Igreja, em perspectiva do diálogo, os Bispos pensaram sobre as urgências na ação evangelizadora, neste aspecto os pastores afirmam “diante da realidade que se transforma, a Igreja “em saída” é convocada a superar uma pastoral de mera conservação ou manutenção para assumir uma pastoral decididamente missionária, numa atitude que é chamada de conversão pastoral, como caminho da ação evangelizadora. Voltar às fontes e recomeçar a partir de Jesus Cristo, faz a Igreja superar a tentação de ser autorreferencial e a coloca no caminho do amor-serviço aos sofredores desta terra (DGAE 30).

Neste contexto surgem cinco urgências na evangelização que precisam compor o processo de planejamento pastoral nas dioceses. Assim de acordo com essas urgências “a Igreja no Brasil se empenha em ser uma Igreja em estado permanente de missão, casa da iniciação à vida cristã, fonte da animação bíblica da vida e da pastoral, comunidade de comunidades, a serviço da vida em todas as suas instâncias” (DGAE, 32).

Perspectivas de ação (IV): partindo pra a conclusão do documento os bispos pensaram as perspectivas de ação, segundo eles “ estas perspectivas de ação querem contribuir, por um lado, com uma Igreja comunhão e participação, despertando a criatividade e fornecendo subsídios às diversas iniciativas da ação evangelizadora. Por outro, quer promover, nas Igrejas particulares e entre elas, uma pastoral orgânica e de conjunto mais eficaz, pois a Igreja é Igreja de Igrejas. Trata-se de linhas e formas de ação pastoral em cada Igreja particular, segundo as condições e necessidades dos respectivos contextos (DGAE 72).

Nesse capítulo os bispos pensam nas cinco dimensões que compreendem a ação pastoral da Igreja e propõe a cada uma delas suas respectivas perspectivas. Pensam na Igreja nas seguintes dimensões: em permanente estado de missão, casa da iniciação à vida cristã, lugar de animação bíblica da vida e da pastoral, comunidade de comunidades, a serviço da vida plena para todos.

Com efeito, para cada dimensão referida acima, os bispos fazem acertadas indicações de ação pastoral para o melhor dinamismo pastoral. Já na conclusão do documento os bispos indicam  que “planejar a pastoral não é um processo meramente técnico. É uma ação carregada de sentido espiritual. Por isto, todo processo precisa ser rezado, celebrado e transformado em louvor a Deus. Para tanto, são necessários evangelizadores que se abrem sem medo à ação do Espírito Santo, que anunciam a Boa-Nova com uma vida transfigurada pela presença de Deus e que rezam e trabalham” (DGAE 128).

É profunda a sensibilidade dos bispos, pais e pastores do povo de Deus, no que concerne à leitura da realidade e às indicações de ações para a eficácia pastoral. Essas diretrizes certamente colaboram para ação pastoral e a melhor vivência da Igreja como povo de Deus, tão indicada pelo Concílio Vaticano II e tão insistentemente repetida pelo Papa Francisco.

ALESSANDRO TAVARES ALVES

III ANO DE TEOLOGIA

REFERÊNCIA

CNBB. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015- 2019. São Paulo: Paulinas, 2015.

 

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