A EFICÁCIA DA FORMAÇÃO LITÚRGICA

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2015-2019 sugerem uma formação litúrgica integral contemplando todos os níveis da vida eclesial. Para esse efeito é necessário que a liturgia seja assimilada, ou seja, entranhada, encarnada. Com efeito, é preciso destacar o que é liturgia para que fique clara a necessidade de uma formação eficaz nessa dimensão da vida eclesial.

A Sagrada Constituição Sacrossanctum Concilium, sobre a Divina Liturgia afirma: “com razão, pois, a Liturgia é tida como exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, no qual, mediante sinais sensíveis, é significada e, de modo peculiar a cada sinal, realizada a santificação do homem” (SC 7).  Com efeito, vale ainda colaborar com a mesma Constituição em seu parágrafo décimo: “Todavia, a Liturgia é o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda sua força […] a própria Liturgia por seu turno, impele os fiéis que saciados dos sacramentos pascais sejam concordes na piedade” (SC 10).

Mediante a definição dos Padres Conciliares é fundamental o incentivo de uma Pastoral Litúrgica com o objetivo de, cada vez de novo, tornar Jesus conhecido pela celebração do Mistério Pascal, bem como tornar clarividente seu sentido e sua riqueza espiritual. Para isso é necessária uma boa formação litúrgica que se expressa em momentos que compõe uma unidade de sentido, que são: formação/preparação, articulação/organização e celebração/participação.

Uma pastoral litúrgica com esta atitude promove uma transformação em toda a Paróquia. Ela deve ser a que ilumina a comunidade para o serviço. Sendo fonte e ápice na atividade eclesial, ela promove o dinamismo de todas as pastorais. Uma boa pastoral litúrgica é aquela que consegue fazer a assembleia encontrar-se com Deus (cf. 1Jo 1,1-3).

É preciso entender o que se faz,  tendo conhecimento simultâneo da ação ritual e do sentido teológico somados à espiritualidade contida em cada gesto. Devido a isso, uma formação litúrgica não pode se limitar somente ao ‘ativismo ritual’, ou seja, no ‘fazer por fazer’. Como? Através da própria celebração litúrgica. Temos que apreender liturgia fazendo Liturgia.

Nela somos convidados a encontrar o Cristo de forma especial, a experimentar de forma amorosa esse Deus que comunica-Se conosco, como nos diz o Prefácio do Natal II: “Ele, no mistério do Natal que celebramos, invisível em sua divindade, tornou-se visível em nossa carne. Gerado antes dos tempos, entrou na história da humanidade para erguer o mundo decaído. Restaurando a integridade do universo, introduziu no reino dos céus o homem redimido”.

Porquanto, tão significativo é este encontro, que nos pede comprometimento. Já não podemos ser mais os mesmos após este encontro com o Amor. Com efeito, a liturgia é a garantidora deste encontro, ela rompe a barreira do espaço e do tempo e dá a nós a possibilidade de experimentar e ter acesso a Jesus Cristo. Ele é a Liturgia do Pai. Daí a grande importância da pastoral litúrgica ser cooperadora desta comunhão de Cristo e a Igreja.

O que aconteceu na história perpetua-se na Liturgia da Igreja de maneira sacramental, portanto é preciso “ter consciência de que só a inteligência do fiel não basta para compreender o mistério escondido na Liturgia. A revelação do mistério de Deus é sempre um ato de Deus mesmo, porque só o mistério revela o mistério. Como toda vez quando a Igreja parte o pão da Palavra, Cristo mesmo é o exegeta do seu mistério, contido nas Escrituras, do mesmo modo, quando a Igreja mistagoga inicia os cristãos ao mistério contido na ação litúrgica, é Cristo mesmo que abre às mentes a inteligência da fé” (BOSELLI, 2014, p.19).

De tal forma, esta pastoral é vocacionada a cuidar da liturgia, tendo como horizonte seu grande significado, dando atenção a cada passo para que de fato o povo de Deus experimente a graça de ir ao encontro do Mistério, que na celebração litúrgica, já nos espera.

 

Referências:

Constituição Sacrosanctum Concilium. In: Compêndio Vaticano II. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 1986.

BOSELLI, Goffredo. O sentido espiritual da liturgia. Brasília: CNBB, 2014.

 

Wallace Andrade Teixeira

III ano de Teologia

 

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